segunda-feira, 12 de março de 2012

AS FLORES DO JARDIM



São inúmeras as flores que colho no meu jardim. Sim, porque é no meu jardim que elas florescem. E assim como um curioso apaixonado, tento desvendar seus segredos, sem que elas percam suas essências, mas que de certa forma possam desabrochar para mim sem medo, e eu viajo por entre pétalas, acaricio o receptáculo, me embebedo de néctar e me embuzio de pólen.

sábado, 10 de março de 2012

CPULA

                         

                                                       Me deixei levar por algum sentimento que não sei qual é. Mas ele me guia. Domina meu pensamento. Domina meus passos. E a grande culpa? A grande culpa é sua. Se ao fosse não seria assim. Não sei porque mas você está na minha mente. É como se sua presença fosse o ar que respiro. Quando olho já estou inebriando por você, pelo sentimento que me faz ter, pelo prazer da sua presença. Envolvido por você me vejo eu plus você. Eu já não tenho escolha. Quem bolou a estratégia? Eu participo e nem me dou conta. Nos articulamos em movimentos certos, sufocantes. E não adiante lutar contra, porque quando luto contra você fica mais presente. E quando tento esquecer, penso em você e como eu poderia esquecer, mas novamente está nos meus planos de “tentativa de esquecimento”. E tenta achar o culpado. Se é meu momento, se é meu jeito, se é você, se é o que é, mas o que é eu não sei o que, e num movimento contínuo estacado a pensar o que é eu não sei o que o é eu não sei o que é eu não sei o que o que é eu não sei o que, que me tira o fôlego e me confunde. O que estava falando mesmo? Desculpe! Me perdi pensando em você de novo. E na lembrança do seu toque, dos seus beijos, do seu abraço, da sua presença, volto a perguntar de quem é a culpa? E o verdadeiro culpado sou eu mesmo que me deixei levar por estes sentimentos tão maravilhosos. Pronto! O culpado sou eu e pronto! E que a sorte a minha de poder amar alguém. Azar de quem não tem ou não se dá o direito de.

segunda-feira, 5 de março de 2012

A NORMALIDADE DA LOUCURA – A LOUCURA NA ERA DO CAPITALISMO




                  Arthus queria ser louco. Isso mesmo! Louco. Ele não sabia qual era o verdadeiro significado da palavra louco, mas sabia que o louco não era o normal. Louco não era aquele que tinha que acordar todo dia um punhado horas antes de entrar no trabalho para não chegar atrasado; louco não era aquele que tinha que vendar a janta para comer no almoço; Louco não é assalariado; Louco não fica se matando no trânsito; Louco não é aquele que não tem compaixão pelo próximo; Louco não é aquele que é louco por dinheiro; Que loucura este mundo! Pensava, mas desta loucura não pactuava.

terça-feira, 31 de janeiro de 2012

COMBINAÇÃO PÓSTUMA – ESMAECER DA VIDA



           Já reparou que somos zumbis? Sim zumbis. As vezes custo a acreditar que não estamos mortos. Mas acredite. No que? Acordamos, saímos, trabalhamos, servimos, comemos, olhamos, voltamos, assistimos e comemos, dormimos e acordamos, para a nossa vida vaga, sem alma, sem nada. Onde que a morte não está nisto? E não está. Porque zumbis estão entre a morte e a vida. Na verdade, zumbis são aqueles mortos, que preserva uma única habilidade no cérebro: a de poder se alimentar, viver para isso. Somos ou não somos zumbis então? Alimentando nossa vontade por dinheiro, por simplesmente comer e de simplesmente fazer sexo. Zumbizando entre os arranha-céus de uma megalópole desenvolvida e injusta, que faz dos teus filhos o próprio alimento, consumindo nossas, energias até que elas se esgotem, e então outros virão, para dar a ela novas energias e assim novos alimentos, novas possibilidades de crescimento, enquanto seus filhos morrem a míngua, procurando .... procurando ... curando .. rando . do. E quando é que estamos vivos?

terça-feira, 17 de janeiro de 2012

COMBINAÇÃO PÓSTUMA - FELICIDADE ANÔNIMA

 
Por Marcel Alves

                                                                        Aqui estou eu mais um dia. Estou pensando na minha existência. Como é difícil ser quem eu sou. Às vezes eu gostaria de ser outro. Fico até pensando se isso que sou agora não é uma mera imagem do que eu gostaria de ser e, internamente, sei que não passa de uma ilusão. Ilusão que eu criei para ser quem eu sempre quis ser. Sei que este que sou agora é muito preocupado. Sei também que toda a preocupação se refere sempre ao que vou ser daqui a pouco mais de 1 min e o que farei para ser ainda melhor daqui a 2. O fato é que perco tempo pensando e não sei ao certo se estou me modificando de fato. Se o meu interior esta passando por uma metamorfose que eu não sei se é real ou se não percebo. Sempre acho que sou o mesmo. Nunca olho para trás. Quando olho, vejo que já sou muito diferente do que eu era. Quando volto a olhar para frente sempre tenho uma surpresa. Tudo a minha volta está diferente. As pessoas que gostavam de mim, já não gostam mais. As pessoas que eu gostava, agora são um saco. E tenho novamente que me colocar no meu caminho tortuoso de ser eu mesmo na minha existência que não sei se existe.

segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

MENSAGEM PÓSTUMA


Por Marcel Alves

Oi, tudo bem?

      Esta com certeza seria a primeira coisa que eu iria te falar quando você atendesse o telefone. Pense nesta mensagem póstuma como o presente. Mesmo tendo-a escrito em vida, não deixa de ser uma mensagem póstuma, visto que a que fins ela deveria ser, só foi após a minha morte, que era de, mesmo estando longe – e ai fico na duvida se escrevo longe, ou perto, porque posso estar do seu lado agora, segurando sua mão ou deitado no seu ombro como nos nossos momentos juntos dentro do cinema. Onde estava mesmo? A sim. No propósito da carta. O propósito era conversar com você pela ultima vez.

    Quantos foram os momentos? E quantas foram as brigas desnecessárias. Mas eu continuava te amando. E você continuava a amar a mim, eu sei. Ficamos tanto tempo desnecessário juntos. Mas era o trabalho, os estudos, a vida, a minha, a sua, a nossa. A nossa! Quando foi que nos conhecemos mesmo? Não vale a pena ser dito. Não vale porque é só nosso e vai ficar guardado na nossa mente e não deve ser registrado no papel. Mas foi um super momento que me arrebatou de tal forma, que, quando me dei conta, não conseguia mais parar de pensar em você. Aconteceu assim.

    Fico triste porque agora acabou e deixamos de fazer várias coisas juntos. Não éramos casados mas a morte nos separou. Separou meus sonhos com você. E te libertou para poder sonhar sozinho, ou acompanhado de outra pessoa que te mereça tanto ou mais ainda.  Na verdade nem tenho certeza se esta triste ou não. Eu acredito que sim. O tempo passou e fico pensando que poderíamos ter aproveitado mais. To com aquele arrependimento de que não é a hora. Que eu acho que devia ficar mais tempo com você. Mas já tomei minha decisão. Não vou prolongar para não chorar mais. Fico tentando imaginar como será sua cara quando ler isto. Agora que vou terminar nossa conversa, quero te pedir uma coisa. Seja feliz por mim. Quando já se sentir suficientemente feliz por si, sinta-se mais feliz por mim. Você tem a obrigação de ser feliz. Sempre te quis bem e agora te quero mais ainda. Prometa agora que não chorará. Não vale a pena. Lembre-se dos nossos momentos bons. Nunca dos ruins. E tente se lembrar de sempre: Aproveite cada minuto da sua vida. Quando somos jovens achamos que a vida está em nossas mãos, mas não está. Aproveite tudo, não perca tempo, e faça diferente do que fizemos. Aproveite. Aproveite.


*Texto feito por mim e inspirado, e não menos melancólico, no sentimento que deixou transparecer minha amiga quando me ligou chorando e dizendo que seu namorado havia falecido.

domingo, 15 de janeiro de 2012

SEM PALAVRAS




            Hoje resolvi não falar nada. Isso mesmo. Ficar mudo. Não emitir nenhum som. Nem sempre é necessário falar. Aprendi isso recentemente. Quem fala muito se explica, e quem se explica e não é claro, nada fala. Ate fala, mas emitir som por emitir, sem se comunicar, é como fazer mover as moléculas de ar para lugar nenhum, assim, pela simples vontade de fazer do balé dos átomos, prótons e nêutrons uma grande bagunça.

                Sempre que emito sons que se assemelham com os sons que os seres humanos utilizam para se comunicar, ganho problemas. Isso porque todas as vezes que faço isso, sinto dentro de mim uma grande vontade, e necessidade, de me explicar. Assim o faço numa tentativa, as vezes desesperada, de mostrar como sou por dentro, porque sempre acho que ninguém consegue ver o quão ouro sou internamente, em detrimento do que alguns só consigam ver o latão de fora. Mas por que tenho que me explicar? Eu é que tenho que ser responsável pelos meus atos e eu é que tenho que ter discernimento de que o que escolho, se certo ou errado, até mesmo quando eu opto por falar coisas que deveriam ser caladas, é um problema meu e de mais ninguém. Mas as vezes faço porque percebi que falei o que não devia, ou devia, mas talvez emitindo outros sons, mas o fiz de qualquer forma, e não me fiz entender.

                Entender também não é uma coisa simples. Entender vai do entendimento de cada um. Do cada um que quer entender. Passa por um filtro feito de vivência e experiência que cada um tem o seu próprio, moldado de acordo com a sua vida. Às eu mesmo falo e me ponho a pensar no que falei. Nem eu mesmo me entendo. Por tantas vezes é mais fácil, e cômodo, escrever. Quando escrevemos, apagamos, modificamos, repensamos, e refazemos. Mas este sufixo "re" não existe na vida. Não existe "re-vida" e nem a "re-vida" significa voltar no tempo. Quando palavras são ditas, é como se um gravador guardasse tudo e nunca mais seria possível apagar aquilo. Não estou dizendo que falar não é preciso. Muitas vezes é para que o som possa colocar na mente de quem escuta alguma informação. E tudo isso tanto para palavras positivas e negativas. É certo que palavras negativas pesam mais que as positivas. Tem gente que prefere dizer tudo pelo negativo e guardar o negativo. Eu não! Tento sempre pelo positivo, e, se disse que me ama uma vez, vou reconsiderar tudo que disser polos próximos 100 anos. Assim sofro menos. E magoo menos também, porque não sou fácil com as palavras. Alias estou em uma constante briga entre pensamento e escrita contra a minha fala; E a escrita é a caneta, porque no computador fico por muitas bloqueado. Elas não se entendem. Simplesmente a fala distorce tudo o que o pensamento idealizou e a mão escreveu.

                Entre tantos momentos de crise entre escrita, pensamento, som, tom, fala, palavras, é que hoje resolvi dar uma trégua a minha boca. Resolvi colocar meus melhores amigos, pensamentos e mãos, para trabalharem mais e colocarem ordem. O pensamente vai verificar tudo que um dia já foi falado e ver o que estava errado, quais os pontos a serem corrigidos; As mãos talvez não trabalhem, ou sim como estou fazendo agora. As reflexões são na verdade um exercício para aguçar o meu sentir. As pessoas estão tão acostumadas com o materializar de tudo que se esquece do sentir. Sentir não pode ser material, é energia. Passa sem que percebamos e chega onde toques não alcançam: o coração. É certo também que as palavras são capazes de ferir o coração, assim como algumas atitudes, e nem sempre elas são capazes de curar. Mas quando você se da a oportunidade de sentir, você consegue decidir sem usar a voz, sem machucar ninguém, sem destruir seus valores, o que é certo e errado, o que quer e não quer, o que é amor e o que não é. Basta deixar sentir e se fazer sentir com atitudes. As vezes aquele carinho, aquele olhar devorador, falam mais do que Eu Te Amo ou um sexo brutal a qual você pode sair saciado ao término sem ao menos conseguir sentir o que ocorreu. Nem tudo é preciso ser demonstrado com palavras, e quando as demonstrações de sentimento sem palavras não vem, é hora de se querer seu próprio bem.


sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

DESATANDO AS AMARRAS


Por Marcel Moreno

             Este era mais um dia comum que qualquer trabalhador disposto a compactuar com os preceitos inescrupulosos do capitalismo e a doar obrigatoriamente sua mais valia, a não ser pelo fato de que ele fora reduzido a nada. Assim entendia o acontecido, já que desprovido de conhecimento a altura de poder se proteger, este também se reduziu, calando-se na vontade de esbravejar e se escondendo num ruborizar que já não era disfarçável, caiu figurativamente de raiva, talvez uma raiva de si mesmo por ter se deixado humilhar, humilhado, por ter sido maltratado, maltratado, justo ele tão crente em Deus, que num momento súbito, foi arrancado da sociedade de igualdade.

           Não era explicável o acontecido. Por que tinha que ser desta forma? Ele preferiu gritar, eu, calar. Por quê? E a pergunta que responderia sua humilhação já não vinha a sua mente. Seus nervos agora trêmulos por um estimulo animalesco, gerava uma vontade tão tremula quanto seu estado de avançar, sim, ali na jugular. Seu sangue parecia ser feito agora de puro fogo, como lava correndo no interior da terra, subia para seu rosto vermelho como brasa, corria por seus braços e pernas como se arrebentasse suas veias, e talvez aquela barriga saliente gerada pelo santo chop de todo Domingo, gerando um suor que se mostrava e saia e molhava e se fazia presente, denunciando todo seu nervosismo e impotência diante daquele fato. Era como se aqueles 15 minutos de feedback, que o reduziria a pó de homem, tivessem durada 4 horas em uma masmorra, com direito a torturas, que não eram físicas mas morais, e ameaças de morte, que não seria na guilhotina, mas seu desligamento da empresa.

          O que seria da sua família se resolvesse argumentar, e humilhar também, e diminuir também, e se impor também, e porque não se fazer mais forte, mais forte que o astro mor que se ostenta brilhante no centro do sistema solar, mais um na Via Láctea. Mas o que seriam deles? E o que seria dele mesmo? Ele que não pode aproveitar as oportunidades da vida. Que mal tinha estudo. Mal tinha família. E se caísse na sarjeta, desamparado, a mercê das ajudas esporádicas do governo? Como seria o futuro de seus filhos? E sua esposa? A quem no altar prometeu uma vida descente, para nunca mais ter que voltar para aquela terra, para nunca mais ter que voltar a ter fome de novo, para nunca mais ter que morar em barracos na beira do rio, para nunca mais ter que ficar desempregado, para nunca mais ...

         Mas quando ele ouviu aquelas e outras palavras, tudo parecia ficar inebriado com a uma ira que, contida, parecia infestar todo o ambiente. Sua mente só conseguia na verdade lembrar-se de uma frase terminada com exclamação. Eu mando! Brandiu o chefe. E a boca dele se enchia de uma superioridade, de uma sabedoria, de um ser que sou e ninguém me supera, como se à partir daquele momento, a terra se desprendera do sistema solar, e não mais girava em torno do sol na sua rotina de movimentos de translação, e agora era o sol que girava em torno daquele ser, que não mais se enxergava como ser humano, e sim como uma raça superiora, dominadora, com poderes sobrenaturais que lhe foram concedidos em um simples registrar de RH: Gerente. Ouvindo aquilo com uma vontade de chorar, olhou para fora da armação do que um dia seria um prédio e viu as margens do Rio Pinheiros, e pensou em como a natureza e linda e o homem é podre, mal. Por que este homem se achava melhor do que ele?

       No final ele não gritou. Ele não argumentou. Ele não humilhou. Não se rebaixou ao nível daquele homem. Sabia que não era certo. Não se colocou no mesmo pedestal que aquele outro quidam, como tantos outros, que achava que estava. Ele pensou no seu orgulho como homem de caráter. Ele lembrou que aprendeu com sua mãe que devia sempre se orgulhar de quem era. Que deveria sempre erguer a cabeça, bater no peito, e gritar para todos que era um homem livre e merecia ser feliz. Tudo num momento, não de fraqueza, mas de sabedoria que ali baixou. Num momento de pura vontade de livrar-se das amarras que sentia prender suas pernas, seus braços, suas vontades, sua garganta, fez o que muitos tinham vontade de fazer, mas faltavam-lhes coragem e fé. Pensou na família e na sua fé. Fé que lhe tirou da cidade de Esperantina do Piauí, e lhe trouxe para esta terra de gente grande, em brusca de uma vida melhor. Ele olhou para aquele homem de uma sabedoria ignorante, olhou fundo naqueles olhos cegos da luz de grandiosidade que achava emanar, pôs-se calmo e disse de uma só vez, usando palavras que pareciam emergir de uma sabedoria que desconhecia, e sem ponderar: Eu me demito. Aprendi que nenhum homem é dono de outro. Que ninguém deve humilhar outro homem, irmão de raça, de passado, de história, de sabedoria. Você não é ninguém para me dizer como devo ser no meu agir ou fazer. Nunca no mundo existirá alguém que terá o direito, ou mesmo o poder, de reduzir outro a pó. Porque podemos ser pobres, podemos ser humildes, desprovidos da sabedoria pedante das universidades, dos grandes centros de conhecimento. Mas há uma coisa que todos sabemos e que todos entendem. Uma coisa que vem de anos, e mesmo não passando de um mero ideal, busco eu na minha vã ignorância: A liberdade.

           Desamarrou-se das correntes, pegou sua dignidade e seu orgulho, abriu a porta, saiu, fechou a porta e chorou do outro lado. Prometeu a si mesmo que ninguém o humilharia de novo. E sem saber que rumo sua vida tomaria, tomou o elevador feito de ferro de andaime, e prometeu nunca mais voltar a aquele canteiro de obras.




terça-feira, 3 de janeiro de 2012

VIDA PULSANTE PARTE I DE I


                 Carlos era um garoto estranho. Não necessariamente estranho, mas diferente. Ele não girava no mesmo movimento que a terra. Ele só não girava. Na verdade ele girava para o lado oposto. Seus pensamentos não seguiam o mesmo pensamento dos demais. Ele sequer conseguia escrever direito. Ele achava que, como ele era canhoto, que sua escrita deveria obedecer a direção da direita para esquerda. Inclusive em certos momentos começou a escrever de ponta cabeça, acreditando assim ser mais fácil para a professora ler enquanto ele escrevia. Com certeza era um garoto muito questionador. Nunca se deu por satisfeito com as informações que a ele vinham prontas. Nunca entendeu direito por que teria que ficar em fila na entrada da pré-escola. Esta era uma imposição difícil para ele aceitar. Se La era o lugar que era, e sobretudo para brincar, por que então em filas deveriam estar? Esta era um história que lembrava muito o seu passado que não viveu. Um passado onde as autoridades mandavam nos cordeiros, época que a opressão vagava pela pátria, sem que ninguém tomasse conta, alguns tentaram, muitos mortos. Talvez ai ele desse um sinal de alguém que não se dava por vencido. Que lutaria até a morte se fosse preciso para sua opinião impor, se fosse preciso. Mãos era necessário. Praticamente nasceu em um mundo pronto, com jovens bandas de propaganda de refrigerante.

                Sua cabeça sempre estava onde os velhos deveriam estar. Por que Carlos pouco se interessava por brinquedos? Brinquedos na verdade eram possibilidade de se fazer gente grande, e a grandeza por tantas desejada, parecia nunca chegar. Por que antes de completar uma casa decimal, as universidades é que estavam em sua cabeça? Por que os cursos de direito? Por que apartamentos, e móveis, e carros, e pessoas, e amigos? Nunca criança, se na mente adulto era. Por vezes desejou que tivesse 32 ou 45 anos para poder desfrutar de todos os benefícios que se poderia ter com esta idade, e se desejasse, se assim viável fosse. Não era possível viver em outra época se não a sua, mas sua cabeça rondava o desconhecido, o aprendido vendo a vida dos outros. Aprendia tanta coisa apenas observando. Alias observar é a grande sacada de quem quer aprender algo. Observe, sinta, deixe fluir.

             Mas esta época não duraria para sempre, ao contrário do que desejava e não queria. Pensou então que seria a hora de crescer. Foram tantos os motivos que o fizeram crescer antes da hora. Nunca falava de sua vida sexual. Teria sofrido algum abuso? Teria tentado algo mal resolvido? Teria se apaixonado e desiludido? Queria mesmo era poder logo acordar e ver que tudo não passou de um sonho, e que poderia ter uma segunda chance. Mas a vida passa para todos. Suas emoções não figuravam das melhores. Como todo adolescente se deixava levar pelos sentimentos, se tornando ora muito feliz e engraçado e outras tantas mal humorado e bravo com a família, não e nunca com os outros, a quem tinha certo receio de mostrar quem realmente era, mas sempre com quem era muito próximo. Talvez fosse os bullings que sofria na escola. Nome bonito que surgiu recentemente, mas que para quem sofre, nunca é bonito e nem nunca sai da memória. Isso o matava por dentro. Isso o enchia de raiva. Por que nunca era reconhecido por ser inteligente? Por que sempre aquele menino bagunceiro chamava mais atenção do que ele? Por que por mais que se esforçasse o mundo lhe dava as costas cada vez que tentava mostrar o quão intelectual havia se tornado? As vezes Carlos tinha a impressão de estar falando outra língua. Que não bastava girar no sentido oposto, que também tinha uma linguagem própria. Assim Carlos decidiu que deveria se fechar em si mesmo. Resolveu então mostrar aos outros o básico do que eles queriam que ele fosse. Sempre escutava que era um garoto bom, que era educado, que era maravilhoso. Mas sabia que estas não eram suas únicas características. Queria gritar. Queria mostrar seu verdadeiro eu que parecia estar anos a frente daquela gente. Na verdade ele se achava normal, problemáticos eram os outros.

segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

BANALIZAÇÃO DA VIDA


  
   Era dia 10 de dezembro, às 4 am como dizem os americanos. Ana estava dormindo. Joana, como de costume, acabava de acordar para ir vender café na porta da estação de metrô. Carlos estava esquentando o motor do seu taxi. Rubens, com o fogo que tinha, estava liberando seus espermatozóides. Carlos, como tinha vida boa, ainda estava dormindo, e não iria acordar tão cedo, já que não tinha que trabalhar e vivia as custas do seus pais; Na verdade ele estava pouco se importando com isso. Era neste momento que Margarida estava acordando os filhos para ir para a escola, já que moravam muito longe do local dos estudos e ela desejava que seus filhos tivessem um bom futuro. Todos tinham uma vida muito parecida, exceto pelo fato de que hoje eles ouviram, todos ao mesmo tempo,  dois homens gritando. Um dizia ao outro: eu não tenho dinheiro! E o outro respondia: Isso não me interessa! Uma pergunta foi feita: Quer subir ou quer descer? A resposta não vinha. Uma gritaria que não deixava ninguém dormir se estendeu por aqueles minutos, tempo suficiente para que a vida de alguns pudesse ser mudada por algum motivo, ou não. Não se entendia mais nada. Não parecia mais o nosso bom português. Uma barafunda havia se estabelecido ali e dentro das casas. O barulho das falações estavam incomodando a todos, invadido cada cômodo, entrando em cada ouvido, mudando ali alguns momentos da vida de algumas pessoas que nada tinham a ver com aquilo, ou tinham. Do nada ouviu-se um barulho que se assemelhava a um tiro. Ana voltava a dormir. Joana, como de costume, agora se preparava para ir vender café na porta da estação de metrô. Carlos continuava esquentando o motor do seu taxi. Rubens, com o fogo que tinha, agora estava saciado. Carlos, como tinha vida boa, voltava a dormir, e não iria acordar tão cedo, ainda mais agora que seu sono fora interrompido, já que não tinha que trabalhar e vivia as custas do seus pais; Na verdade ele estava pouco se importando com isso mesmo. Era neste momento que Margarida acordou os filhos para ir para a escola, e direcionava todos para a mesa do café, tinham que correr, já que moravam muito longe da escola e ela desejava que teus filhos tivessem um bom futuro. Tudo voltava ao normal como qualquer outro dia. Na verdade todos desejaram que o menino tomasse logo aquele tiro para que tudo voltasse ao silêncio de antes, para que todos pudessem retornar as suas vidas normalmente, retornar a sua velha rotina. Nada de polícia, nenhum telefonema, nenhuma mãe desesperada, talvez em algum lugar da cidade, mas não naquele bairro e daquela periferia. Tudo continuou como antes.
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Na volta pra casa, depois de um dia exaustivo como todos os outros, havia um desenho de um corpo no chão. Mas ninguém parou para ver. O dia estava muito quente e cansativo para olhar para detalhes.

Não havia nada com o que se preocupar!

quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

HOJE FUI ASSALTADO


Por Marcel Moreno

          Estava eu sentado em um banco de praça comendo um chocolate. Coloquei  o alimento de lado para me concentrar em um livro. Estava um dia quente e particularmente chato. Uma pomba se aproximou. Olhou para mim como quem não quer nada e emitiu o som que todos eles emitem sem nem saber porque. - Gru gru gru. Eu concentrado no meu livro não dei a mínima par a fome da pomba como se a fome e a vida alheia não fossem um problema meu e nem fizesse parte do meu cotidiano. Ficamos ali desta forma por alguns minutos, e eu distraído, quando de um salto, um lance, a pomba deu uma bicada violenta e agarrou o chocolate. Eu que não iria deixar barato, agarrei do outro lado do doce, em uma tentativa dramática de resgatar o meu bem, o meu alimento. Assim travamos uma batalha, uma briga corporal quase como um cabo-de-guerra, no qual eu lutava bravamente pelo que era meu e ela lutava pelo seu intento. Eu gritava para ela soltar e que ela me devolvesse, que aquilo que ela estava fazendo era roubo, totalmente contra a lei. Ela argumentava que eu deveria ajudar quem mais precisava, que aquilo não poderia ser roubo, visto que ela estava agindo com o coração, que certamente poderia ter mais, que eu provavelmente já deveria ter mais. Entre troca de olhares raivosos e com medo, com corações acelerados e sangue correndo como carros em uma grande avenida, ela foi mais forte - não sei porque mas foi - ela arrancou o chocolate das minhas mãos. Logo que soltei, o chocolate voou pelos ares, e ao cair, se espalhou em segundos. Várias outras pombas apareceram e surrupiaram tudo o que conseguiram. Em meio a sentimentos de ódio, medo e impotência, chamei a polícia. Ela por sua vez pôs-se a chorar e a se perguntando se era crime roubar para alimentar seus filhos. Se a prisão então seria seu castigo por essa investida, investida de uma mãe desesperada, que vê seu filho doente, chorando por sua única vontade, vontade que o faria talvez alcançar a única felicidade que ele teria na vida, já que poderia não chegar a fase adulta. 

quarta-feira, 30 de novembro de 2011

CORPO E CABEÇA

               Corpo e Cabeça eram dois amigos inseparáveis. Fizeram tudo juntos na infância. Claro que cada um tinha suas aptidões e tinham gostos e ações diferentes, mas ambos conviviam bem contiguamente. O tempo foi passando, e com eles novos desafios, momentos, sensações, mas as idéias já não eram tão concomitantes e os dois começaram seus desentendimentos. Primeiro porque Corpo queria fazer coisas que Cabeça não concordava, e sabia que aquilo poderia fazer mal a Corpo, mas este não se importava, era como se não pensasse. Já Cabeça queria se dedicar as suas coisas e acabava deixando as vontades de Corpo de lado, em prol do seu egoísmo. Segundo porque Cabeça pensava demais e Corpo agia com a razão. Desta forma quase não havia entendimento entre os dois. Um queria e o outro não. Quase como marido e mulher. Mas uma coisa era certa: Cabeça cuidava do Corpo como ninguém e Corpo a retribuía com bons presentes alimentícios, e concordava em ficar parado um pouco enquanto Cabeça se exercitava, apesar de Corpo só pensar em boemia. Certa vez em uma das festas que Corpo adorava ir, se apaixonaram por uma pessoa. Isso não seria bom, já que com interesses diferentes, queriam mais do novo amor para si, inibindo que o outro pudesse aproveitar um pouco mais desta nova situação causando rusgas entre eles. Enquanto Corpo seduzia seu amor por suas lindas formas (quem não eram nada lindas, mas que se aproximava de um padrão criado pela mídia), Cabeça tentava impressionar com sua inteligência. Apesar das contendas vencidas por Cabeça para decidir quem seria melhor opção, quem atraia mais era Corpo, pois a inteligência de Cabeça não era entendida pela outra parte, e as vezes até a afastava. Uma vez que estes dois eram unidos, com Cabeça ficando cada vez mais afastado, Corpo já não se empenhava tanto no novo relacionamento, e sabendo da opção de Cabeça, não mais ficava excitado pelo amor depois da terceira experiência. E foi assim todo o tempo, com todas as pessoas. Enquanto Corpo saciava suas vontades, Cabeça se contentava com sonhos úmidos que satisfaziam um pouco o corpo. A busca contínua de Cabeça e Corpo por alguém que possa corresponder aos anseios dos dois perdurou por algum tempo. Na verdade quem mandava na situação era Cabeça. Corpo saiu atraindo tudo que podia, mas Cabeça era quem no final escolhia de verdade. As vontades de Corpo passavam com seus relacionamentos no nível três, mas Cabeça nunca encontrara alguém que combinasse pelo menos um pouco com seus pensamentos, chegando a achar que ficaria só para sempre. Corpo uma hora ou outra achava “alguéns”, mas Cabeça ficaria para sempre sozinha. Eis que um dia algo inusitado aconteceu! Corpo conheceu outro Corpo. E Cabeça conheceu outra Cabeça, assim de forma apióide, como se o acaso estivesse ali presente para unir algo semelhante e ao mesmo tempo diferente - e na verdade ele estava. Mesmo com toda a química gerada por Corpo, foi Cabeça seduzida. No momento que corpo deveria atuar, foi Cabeça que geriu todo o processo, mostrando quem realmente era e como gostava de estar ali, trocando idéias. Corpos se davam muito bem, com momentos marcantes e quebras de paradigmas. Cabeças se entendiam cada vez mais, e conhecendo coisas fora do seu horizonte de visão, ficou encantada com tudo que ia aprendendo. Corpos já não faziam mais diferença para a paixão, uma vez que satisfaziam (não menos importantes( suas vontades fisiológicas, já que Cabeças, com suas inteligências e conhecimentos, eram o verdadeiro motivo da paixão avassaladora.        

quarta-feira, 16 de novembro de 2011

CAPACIDADE X QUALIDADE

                 Sempre ouvimos algumas coisas do senso comum que nos faz pensar se estamos certos e se vale a pena passar a frente, como por exemplo, de que todos nós somos iguais, ninguém é melhor que ninguém, morreremos e iremos para o mesmo lugar, entre outras bobagens que só fazem assolar e diminuir o homem enquanto ser pensante. Entre o ser humano ser melhor do que o outro e ambos terem capacidades iguais há uma grande lacuna, que para os preguiçosos, é melhor acreditar que todos são iguais de fato e assim evitam a fadiga. Pois bem. Desculpe. Mas esta não é a realidade. Se a sua religião diz isso está errada. Se você acredita nisto está errado. Todos os homens são dotados da mesma racionalidade, com possibilidades idênticas de realizar determinadas tarefas independentemente da raça, sexo, etc. Todos nós temos o poder da fala e da comunicação. Somos diferenciados dos outros mamíferos pelo polegar opositor que nos possibilita muitas coisas e um cérebro altamente desenvolvido. Podemos amar, viver, aprender, compartilhar, se organizar e seguir regras. Isso porque temos capacidades iguais. Podemos fazer tudo que o outro faz. Mas há diferenças entre nós quando nos referimos à qualidade. Uns são melhores que outros. E são sim! Isso porque alguns se esforçam mais, se dedicam mais, se pronunciam mais, se arriscam mais, e isso faz deles melhores que outros. Há uma lacuna enorme entre ser melhor e ter as mesmas capacidades. Todos podem, basta querer. Se você se esforçou, batalhou, se dedicou, você é sim melhor e isso não é nenhum pecado ou algum ato descabido. Se você, apesar das mesmas capacidades, não fez nada disso, não fique chateado se por acaso não for melhor em nada. Já dizia a velha frase: “O homem é feito das tuas ações e não das tuas palavras”. É a vida, é a vida!

quinta-feira, 10 de novembro de 2011

POR QUE ME ABANDONASTE!?

                  - Hoje eu estou aqui. Vivendo como se fosse o último dia. E é! Eu sinto isso. Tantos momentos vividos. E tantos outros sobrevividos. Lembra quando nóis ia para a escola? Era tão legal. Tão emocionante! E os momentos La dentro? Corria, brincava, me emocionava ... tantas oportunidades.
                - Mas nem tudo na vida são rosas não é mesmo? É correria. Quem me puniu quando eu afanei meu primeiro relógio? Mão leve. Eu tinha talento. Quem me disse que era errado? E a coisa foi continuando. A coisa foi aumentando de nível. Foi chegando a patamares que valores de R$ 100,00 R$ 200,00 não eram mais suficientes. Eu queria mais! Até ensinava os meninos da rua a transar para ganhar dinheiro. E o povo sofreu na minha mão!
                - Mas você até que gostava! A se gostava! Eu chegava da favela com os “brinquedo” e você recolhia. Quanto mesmo que lucro com aquele relógio de bancana que roubei daquele playboy? Playboy de merda. Para ele não fez nenhuma falta, mas para a sua ganância ... deve ter ganhado um dinheiro bom. Eu sei disso. Disse que ia devolver para a mãe dele mas que nada. To ligado na sua. Você vendeu. É! E quantos filhos de bacana eu matei porque não tinham o dinheiro pára me pagar. E iria ficar como? Sair do meu bolso?
                - Tinha momentos na minha vida que eu era escorraçado por todos. Era pelo cobrado que não deixava eu passar por baixo da roleta. Corno de merda! Aquele sim merecia umas boas porradas. Eu era tão pequeno nem sabia me defender. E nem sabia roubar. Até o dia que a gente se trombo de novo. Foram 4 tiros na cara. Família? Que família? A minha era uma merda mesmo. E o assalto ao mercadinho? Aquele! Lá em Diadema? Liderei tudo. Dei mesmo o tiro no safado. Ele ficou com frescura. Passei ele na bala. A mulher dele nem tem do que reclamar. Ficou dois filhos e um mercado só para ela. Eu é que peguei cana. Dias difíceis. Eu já tinha sido preso. Mas desta vez foi pior. Eu era branco, loirinho, e os nego não perdoava. Tive que ser mão de cela. Maior humilhação. Matei 5 mas não dava para matar todo mundo.
                Por que não me repreendeu quando teve tempo? Por que não falou nada? Por que me apoiou em tudo? E agora a culpa é minha? Eu vou pagar sozinho né? Agora to aqui! Só tenho mais 1 dia de vida. Para de chorar porra! Agora não adianta mais. O que tinha que fazer você já fez. Ganhou muito dinheiro com o meu tráfico. Ganhou muito dinheiro com os meu roubo! Por que você deixou tudo isso acontecer? MÃE POR QUE ME ABANDONASTE!?

domingo, 6 de novembro de 2011

PODER DE ESCOLHA

Escolher nunca foi e nunca será fácil, isso porque quando escolhemos algo temos 50% de chance de dar certo ou dar errado. Mas se nos abstivermos de escolher os rumos das nossas vidas não chegaremos a lugar algum, ou pior, corremos o risco de morrermos a míngua. Uns escolhem uma vida brilhante, outros escolhem uma vida boa. Alguns acreditam que é melhor deixar os outros escolherem para si o que é garantido a ele poder fazer por sí mesmo, ou mesmo deixar a religião escolher seus caminhos. Às vezes a escolha que fazemos não sai como desejamos. Outras vezes fica no capricho, ou ainda não dá em nada. Mas tem o povo da melancolia que escolhe ser triste, escolhe viver reclamando da vida,
escolhe o não opinar em nada que não seja do seu interesse, mesmo que este interfira em 100% na sua vida, escolhe sobretudo medir a felicidade dos outros. Antes de tomar uma decisão escolha qual o objetivo que quer alcançar. Verifique se é possível. Feito tudo isso faça suas escolhas baseadas no seu objetivo. Coloque como meta na sua vida ser feliz. A vida é muito curta. Às vezes acreditamos que ainda temos tempo, e que ainda temos anos, e que ainda temos uma vida, quando na verdade está tudo indo embora diante dos nossos olhos e quando nos damos conta já é tarde. Ame muito. Preste atenção em quem gosta de você. Tente ser bom quase todo o tempo do mundo. Se for verdade fale. Se você ama, gosta, quer bem - fale. Escolha tudo que possa trazer coisas boas. Não perca tempo escolhendo ficar triste, porque ela não perde tempo com você.

segunda-feira, 31 de outubro de 2011

MAÇÃ DO AMOR

Uma cena certamente dilaceraria um coração como a que aconteceu e acontece todos os dias. Pelo menos as ruins. Certo de que encontrara alimente, o pobre homem resolveu pegar o suco do chão, mas como estava na presença de um outro, que não mendigo, resolveu ficar estacado ali, como que enleado e confuso na perplexidade que a ação exigia dentro de um arsenal de pensamentos e sentimentos dentro da cabeça do homem, somente para esperar que o outro homem fosse embora. Quando o transeunte foi-se, o mendigo resolveu continuar observando e se certificando que o homem nada percebesse – como se não fosse possível – e ele pudesse enfim finalizar seu intento. Mas aquela situação tocara o coração do viandante que se viu sem saída para a cena e tinha que tomar uma atitude. Sim. Porque no mesmo momento parou e percebeu que se tratava de um outro homem. De alguém que respira, tem sentimento e sente fome. Ele acreditando que era as suas ações e não somente seus pensamento, resolveu voltar e fazer com que aquele mal fosse sanado de certa forma, mesmo que de momento, não só e somente a fome, mas talvez sanar a gana do homem por misericórdia e conseguisse colocar um pouco de amor em um coração. Então como quem espera apenas um sorriso de agradecimento, deus 5 maçãs a aquele pobre homem, que se culpado ou não de seus atos infortúnios, era um produto da falta de compaixão do homem em geral e desprezo da sociedade. Ao passo que recebeu o tão esperado sorriso que encheria seu coração e sua alma de felicidade, continuou seu caminho. Voltando-se para trás novamente percebeu que o homem continuou imóvel somente contemplando o horizonte, que poderia ser um futuro esperançoso ou simplesmente o outro lado da rua. Perplexo com o que poderia passar na cabeça daquele homem, verificou que não era o bicho homem de Manuel bandeira, tão pouco o homem bicho, porque se todos nós somos iguais, um simples mamífero é capaz de amar o outro. Jamais poderíamos igualá-lo aos homens mais iguais que os outros. Seriam estes homens insetos? Homens amebas? Homens vírus? Não sei. Não sei se posso usar a palavra homem, porque homem algum deixaria outro homem a mercê da vida nas ruas, vivendo dos restos dos outros.

A EMINÊNCIA DA MORTE

O que faria se soubesse que tem poucos dias de vida? Que tem um câncer? O que faria se soubesse que algum parente querido tem poucos dias de vida? E se soubesse que não tem nada?
Já pensou quanto tempo desperdiçamos esperando o amanhã?
É como a história da mulher que tinha duas semanas de vida e a filha morreu atropelada no dia seguinte a noticia; Ou o fumante de 80 anos e o garoto de 5 que morreu com uma bala perdida.
Muitas pessoas esperam muito e se esquecem de viver. Vivem ou de passado ou de somente futuro, mas nunca vivem o presente. Muitas coisas acontecem na nossa vida. E acontecem agora. Muitas coisas boas e muitas coisas ruins. São elas que definem o que acontecerá no futuro. E lembre-se: São as grandes tempestades que limpam o ar.
Aproveite seu tempo. Faça coisas boas. O universo se encarrega de mandar o resto. Ame hoje. Goste hoje. Fale o quanto gosta hoje. O amanhã pode não existir e perderá grandes oportunidades. Nada na vida é certo. Percorremos vários caminhos. Mas eu tenho uma coisa que certa na vida de todos nós: Todos nós vamos morrer. Não sei dizer quando ou onde, mas vamos. Então, está esperando o que?

quinta-feira, 20 de outubro de 2011

INSIGNIFICANCIA HUMANA

Como pode o ser humano! Somos partículas de átomo que formam cadeias. Estas que dão origem as células que estão em um balé perfeito da biologia fazendo mitoses, meioses e espermatozóides, e óvulos, que com ou sem amor geram um produto chamado vida. São pessoas comuns, com seus trejeitos. Manias. Histerias. Maluquices. Peculiaridades inatas e que possivelmente vão morrer com elas. Estamos todos em um processo de interação com outras pessoas, de conhecimento, de aprendizado. Vivemos dentro de um complexo de cidades formadas por casas, carros, governos, igrejas, corrupção, pessoas, regras, etiquetas, costumes. Temos a influência da pintura, do cinema, da música, das esculturas ....... de livros, críticos, pensadores. Vivemos neste processo onde cidades formando uma rede de cidades, formam estados e países. Somos classificados como povo, nação, ou não. São palavras que são escutadas todos os dias como OTAN, BRIC’s, ONU, MERCOSUL entre outras, que mais parecem nomes de temperos do nosso globo, das relações de países, dentro de um planeta, que outrora imaginado plano, mas que não é, dentro de um sistema solar, rodeado de galáxias anos luz daqui, com presença de cometas, satélites, planetas, galáxias, alfas 5, galáxias, etc. O que muito me fascina não são as pessoas que estudam tudo isso, são as pessoas que diante de tantas informações a serem estudadas acerca da nossa existência conseguem arrumar tempo para cuidar da vida dos outros. Como pode o ser humano?

segunda-feira, 17 de outubro de 2011

VIDA DE CÃO

Gol!!!!!!!!!! Meu time ganhou!

É a felicidade no coração. É a água para pagar, a luz para economizar, é a família para sustentar.

É o trabalho para dar conta, é o filho que não se encontra, e a vida pára tonta, é o chefe para bater.

É o imposto para corroer, é a inflação tirando o merecer, é o suor que não para de escorrer, é o tempo para esquecer.

E na TV, é a propina para deputado, é a igreja que domina o rádio, é o filosofo que não se consegue entender, são assuntos que não vão morrer.

Na rua, é o conflito que vem se meter, é o protesto que combate, é a dor que arde, no cassetete do policial covarde, que bate sem saber o por quê. Por quê?

Na vida são os filhos para dar de comer, a educação que nem sei para que, nestes meus anos que também vivi sem saber por que.

E a família que critica sem saber, assuntos que nem sei viver, vida alheia que tem que se meter, ousadia essa que não posso dar o poder de fazer.

É a ignorância que mora no meu peito, que habita meu cérebro, que caminha pelas minhas veias, que não me deixa perceber.

Enquanto o mundo acaba, pessoas lutam por pão e água, a vida correr como um rio ávido, e eu aqui sem nem me mexer ....

É novamente ignorância, mãe de todas as antas, que me faz pensar que a esperança, mora dentro de um sentimento que às vezes sinto quando vejo a TV.

domingo, 16 de outubro de 2011

O Bicho - Manuel Bandeira

“Vi ontem um bicho
Na imundície do pátio
Catando comida entre os detritos.

Quando achava alguma coisa,
Não examinava nem cheirava:
Engolia com voracidade.

O bicho não era um cão,
Não era um gato,
Não era um rato.

O bicho, meu Deus, era um homem”.