Por Marcel Moreno
Corações ao alto. Nosso coração
esta aos pulos. Força, garra, paixão. Tudo isso levou uma nação inteira ao
delírio. A conquista de mais esta etapa proporcionou a todos um grande
espetáculo que encheu nossos olhos.
Fomos
cravejados de uma felicidade que não sabemos a quanto ainda demoraria. Muitos
morreram sem ver. Outros tantos perseguiram acreditando. Muito contra, muito a
favor, mais um degrau foi escalado.

* Agora
é hora dos louros. E hora de comemorar. É hora de bater no peito e se orgulhar
deste feito. Valorizar toda nossa história, de receber de volta todo este tempo
de crença, de confiança, de apoio, de fé.
Olhos
angustiados, tremedeiras, suor frio. São muitas as emoções que dominam nosso
corpo e nossa mente neste momento de puro êxtase e adrenalina. E solta o ar dos
pulmões, empurra-os goela a fora, afora nossas contenções diante de tal enlevo
social.
Se
conquistas ate o presente momento não nos foi dado, agora é a hora do gozo da ilusória
vitória. Quais seriam os sentimentos de Alexandre O Grande, diante de seus tais
feitos? Seriam os mesmo de Pedro Alvares Cabral quando descobriu “a terra
perdida de Vera Cruz” que ainda não se encontrou?
Mas
enquanto há o orgulho da vitória no coração, nossas crianças são mal educadas,
nossa educação está caída e nossa saúde está em frangalhos. Já não há nada a se
orgulhar a não ser a vitória de uma partida que não é a vida.
Quebra-se
tudo por nada. Não é por revolução, não é por mudança, não é por justiça, não é
por exigir. É por algo inútil que só faz acalmar os ânimos quando na verdade
deveríamos estar gritando de raiva. Serias essas nossas pulsões de morte?
Enquanto
isso, cachoeiras de mensalões, aloprados, águias ... e assim castelos de areia
desmoronam e abrem-se caixas de pandora. De dentro tiramos vergonha, uma
população submissa e políticos que parecem não se importar com nada.
Parece
mesmo que nada muda. Quase todos os anos nossa atenção nos é roubada e
depositada em algo fútil, que nada interfere em nossas vidas, nada que nos
eleve como homens intelectuais ou nos salve da vida.
Esse momento remonta
na minha mente a revolução que iniciou de 1648, quando as imagens nos levavam a
exultação social, mas no fim imperou o capitalismo, derrotando nossa possibilidade
de sermos iguais, fraternos e livres. Alguns são mais iguais que outros, quem
liberta é o dinheiro, e os laços de amizade entre homens sou eu e o meu
espelho.
As
classes não se unem mais. Nem mesmo se reconhecem como una. Essa forma de
alienação é muito boa para tantos príncipes maquiavélicos espalhados pelos
cantos de um enorme “círculo” de corrupto e inescrupuloso deste meu Brasil
brasileiro.
*Quadro O Grito de Edvard Munch